Livros e cinema: uma conversa com Ana Maria Bahiana

por Eduardo Nozari

Há 3 anos atrás fiz um curso de interpretação de cinema em Porto Alegre, ministrado pela jornalista Ana Maria Bahiana*. O curso foi muito bom e, como eu estava a poucos metros de uma figura ímpar do jornalismo brasileiro (momento puxa-saco), não pude perder a oportunidade de roubar uma entrevista. Eu e duas colegas de aula, então, conversamos com ela sobre literatura e cinema, mas acabei nunca publicando o material no meu blog da época e acho que agora é uma boa época para fazê-lo: amanhã estréia no Brasil Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte II, último capítulo de uma das mais populares transposições livro->filme já vistas. Como foi feita em 2008, claro que a entrevista não fala sobre HP7, mas traz elementos importantes para saber mais sobre as adaptações. Segue:

Tu tens vasta experiência em cinema, já escreveu livros e também já escreveu roteiros. Qual a diferença do processo de criação de um livro e de um roteiro? 

Bom, a meu ver a diferença é que no livro você escreve imaginando que o filme vai ser feito na cabeça do leitor. Você pode deter-se em detalhes, em um mundo interior dos personagens. Já no filme você não tem esse tempo. O tipo de narrativa de um filme é completamente diferente do tipo de narrativa de um livro, o que torna a adaptação literária para cinema uma coisa muito difícil. Quando você escreve um argumento, ou um roteiro, você tem que ter um arco da narrativa que seja claramente explicitado em uma hora e meia ou duas. Você só tem aquele tempo para evoluir seus personagens e você só tem aqueles recursos para mostrar o mundo interior deles. Então são limitações que te dão uma estrutura típica do roteiro: você não tem o luxo da não-ação. No livro você pode ter a não-ação o quanto você quiser, pode dedicar páginas e páginas a nada acontecer, tudo em termos de pensamentos e sentimentos. Para mim essa é principal diferença: no livro, o filme tem que ser feito pela nossa cabeça, no filme em si o roteirista tem que ter esse trabalho.

Então, sob essa ótica, os roteiros originais seriam mais eficazes?

Aí depende de quão boa ou ruim é a adaptação. Eu sempre costumo dizer que o roteiro original é muito mais fácil de ser feito do que uma adaptação literária, pois você tem o controle completo de todos os elementos da narrativa. Como falamos, o livro é mais profundo de uma maneira, mas uma boa adaptação ou um bom roteiro também pode ser profundo, só que de outra maneira. O que uma boa adaptação faz é transformar tudo aquilo que é expresso em palavras em imagens. A boa adaptação não se limita a ser uma “contação” de histórias: “agora vou contar a história do livro com os recursos do livro”. Isso seria uma adaptação chata, a boa adaptação é: “eu vou trazer o mundo do livro em imagens. Eu vou informar os personagens, o que eles são, qual é o mundo deles, qual é a cabeça deles”. Tudo isso com imagens em ação e não com palavras. Um contra exemplo: O Código Da Vinci. O que é aquilo? É o tipo de adaptação ruim, de um livro que já não é grande coisa. Mas pelo menos o livro é uma coisa divertida, se bem que todos os livros do autor são iguais. Foi uma adaptação perfeitamente preguiçosa aquela. O roteirista (Akiva Goldsman) não teve muita originalidade. Aliás, ele é famoso por não ter muita originalidade, mas eu acho que se somou a isso o fato de que foi feito rápido, às pressas. Eles queriam aproveitar o impacto do livro. E um roteiro é uma coisa muito complicada de se fazer, é uma coisa que demora.

As pessoas geralmente reclamam que os filmes adaptados não são tão bons quantos os livros, mas grandes clássicos do cinema são adaptações de livros e acabam sendo mais conhecidos e renomados que os próprios livros. Por que tu achas que isso acontece?

Um livro é um livro e um filme é um filme.  Eu acho que se você for ao cinema esperando ter a mesma experiência do livro, você vai se frustrar em 99% das vezes. São coisas, são criaturas completamente diferentes. O bom filme adaptado sobrevive não necessariamente porque ele é uma boa adaptação, mas porque ele é um bom filme. Ele se sustenta como uma história filmada, contada com imagens. O filme é isso: imagem, ação e movimento. Texto, no cinema, na verdade é acessório. As pessoas confundem muito roteiro com diálogo. Roteiro é estrutura e não diálogo. Você pode ter um roteiro maravilhoso, mas que não tenha diálogo. Há um filme lindo do Bertolucci, Assédio, que é uma história de um choque cultural entre uma menina africana e um italiano. Os dois não conseguem se comunicar e por isso a maior parte do filme não tem diálogo nenhum e, mesmo assim, o filme é belíssimo. No filme você deve contar uma história com metáforas visuais, com som, com movimento, com ação, e com o olhar da câmera, que é o olhar do diretor dialogando conosco. Se o filme se sustenta com relação a isso, o material de origem se torna irrelevante. Um exemplo: Apocalypse Now é inspirado em Coração das Trevas, mas você não precisa ter lido o livro para achar o filme uma coisa maravilhosa, pois ele se sustenta em si mesmo como um filme.

Dos filmes (adaptados) lançados nos últimos anos, qual tu achas que tenha feito bem essa transposição para o cinema?  Um que tenha cumprido bem o que o livro quis passar.

Onde os Fracos Não Têm Vez. Foi perfeita a adaptação, e boa parte desse sucesso se deve ao material original, o livro de Cormac McCarthy. É bom lembrar que o primeiro passo para se fazer uma boa adaptação é escolher um livro que, de fato, renda um filme. Muitos dos livros que a gente lê e fala “isso daria um bom filme” talvez não dêem, por serem complexos demais, por serem literários demais ou por terem informações que só podem ser manuseadas pela mente do leitor e não pela do espectador. Cormac McCarthy é um escritor que escreve sucintamente, economicamente. Escreve de uma maneira cinematográfica. Ele deixa muito a ser imaginado pelo leitor e isso, para um diretor de cinema, é perfeito. O livro dá a estrutura, dá os personagens e deixa o diretor colocar em cima o seu olhar sobre aquilo tudo: como é a cara dessas pessoas, como elas se comportam, como é o mundo onde elas andam.

E os casos em que o autor do livro também escreve o roteiro? O Mario Puzo, em O Poderoso Chefão, por exemplo…

É, mas em toda a trilogia tem muito da visão do Coppola, que fez os roteiros junto com Puzo. Visualmente, a composição daqueles personagens, o ritmo daquela narrativa é cinematográfica. E nem sempre a presença do autor é uma coisa boa, porque a criação literária e a criação cinematográfica são muito diferentes. Não é comum o autor que possa navegar por essas duas áreas criativas. Aliás, mudando um pouco de assunto, para começar eu acho que o material que melhor se presta para ser adaptado para o cinema é o conto, e não o romance ou a novela. Um filme é um conto, e duas horas é o tempo perfeito para se contar uma história nesse formato. Quando você adapta uma obra literária mais complexa a coisa se torna complicada. Você tem que fazer tantas elipses, tanto cortes, tantas simplificações que você acaba aleijando a estrutura da própria história que você está contando.

*Ana Maria Bahiana é uma das maiores jornalistas culturais do Brasil. Já escreveu em tudo que é jornal e revista, aqui e lá fora, e foi correspondente da Rede Globo em Los Angeles por 7 anos. Hoje, entre outras atividades, ela mantém um blog e é a única representante do Brasil na Associação de Correspondentes Estrangeiros de Hollywood, entidade responsável pela premiação dos Globos de Ouro.

**Colaboraram Bruna Schuch e Simone Bertuzzi.

Exposição de Barbies no Iguatemi

por Bárbara Keller

Está rolando desde sexta-feira, 11, o Museu Encantado da Barbie na Praça Erico Verissimo do Shopping Iguatemi de Porto Alegre. A exposição mostra 400 Barbies do colecionador paulista Carlos Keffer. Eu fui conferir e me surpreendi com a variedade de bonecas, muitas delas em homenagem a seriados e filmes. (enlouqueci com essas!!)

Pra quem quiser visitar, a exposição acontece até o dia 3 de abril, de segunda à sábado, das 10h às 22h, e no domingo das 11h30min às 22h, com entrada franca.

FILMES:

Legalmente Loira (no fundo), Bonequinha de Luxo (não é a cara da Audrey Hepburn?) e Os Pássaros (fundo)

Kink Kong (no fundo), Marylin Monroe, Scarlett O´Hara, Marylin Monroe e Titanic (no fundo)

Para os fãs de musicais…

Barbie Flashdance

Barbie Grease

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mary Poppins

Para os fãs de Senhor dos Anéis…

Arwen e Aragorn, no momento da coroação

Legolas e Galadrie

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Os mais recentes…

Alice e o Chapeleiro Maluco

Na exposição teve lugar até pra sem sal da Bella, o bonitão sem camisa Jacob e o branquelo Edward, da série Crepúsculo

 

 

 

 

 

 

 

 

O Ken e a Barbie do filme Toy Story 3

Um clássico….

E o vento levou

SERIADOS:

Mulher Maravilha, Wilma e Betty, dos Flinstones, Jeannie é um gênio, Feitiçeira e As panteras

E da série mais atual: Mad Men

E aí, qual Barbie vocês mais gostaram?? Eu tenho a minha preferida, mas essa não tá na exposição, é a Barbie Bacharel. Presente super criativo e exclusivo que a minha amiga Carol fez e me deu de presente de formatura.

Minha Barbie Bacharel fazendo juramento

ps: Peço desculpas pela qualidade das fotos, mas minha máquina não é das melhores, e, além disso, a muvuca da exposição não permitia perder muito tempo pra tirar as fotos. #ficaadica

E deu no que deu

por Eduardo Nozari

A 83ª cerimônia de entrega dos Oscar acabou de acabar, quase sem surpresas e nem ânimo – a apresentação de Anne Hathaway e, principalmente, James Franco foi pra lá de tosca. O Discurso do Rei ganhou como melhor filme, ator, roteiro original e diretor. Gostei da vitória de Tom Hooper no lugar de David Fincher, por razões que já expliquei no post anterior, mas ainda acho que a tal Academia se acovarda nos momentos em que se vê diante da oportunidade de premiar filmes mais ousados. Cisne Negro acabou ganhando só como melhor atriz, o que realmente é uma pena. Merecia pelo menos mais o prêmio de edição que, não sei como, ficou com A Rede Social. Nos coadjuvantes O Vencedor fez a festa merecidamente – aquele rumor de que Melissa Leo estava indo pro beleléu não se confirmou – e A Origem arrecadou os prêmios técnicos. Abaixo, a lista completa dos vencedores:

Melhor filme

Cisne Negro
O Vencedor
A Origem
O Discurso do Rei
A Rede Social
Minhas Mães e meu Pai
Toy Story 3
127 Horas
Bravura Indômita
Inverno da Alma

Melhor diretor

Darren Aronovsky – Cisne Negro
David Fincher – A Rede Social
Tom Hooper – O Discurso do Rei
David O. Russell – O Vencedor
Joel e Ethan Coen – Bravura Indômita

Melhor ator

Jesse Eisenberg – A Rede Social
Colin Firth – O Discurso do Rei
James Franco – 127 Horas
Jeff Bridges – Bravura Indômita
Javier Bardem – Biutiful

Melhor atriz

Nicole Kidman – Reencontrando a Felicidade
Jennifer Lawrence – Inverno da Alma
Natalie Portman – Cisne Negro
Michelle Williams – Blue Valentine
Annette Bening – Minhas Mães e meu Pai

Melhor ator coadjuvante

Christian Bale – O Vencedor
Jeremy Renner – Atração Perigosa
Geoffrey Rush – O Discurso do Rei
John Hawkes – Inverno da Alma
Mark Ruffalo – Minhas Mães e meu Pai

Melhor atriz coadjuvante

Amy Adams – O Vencedor
Helena Bonham Carter – O Discurso do Rei
Jacki Weaver – Animal Kingdom
Melissa Leo – O Vencedor
Hailee Steinfeld – Bravura Indômita

Melhor Roteiro adaptado

A Rede Social
127 Horas
Toy Story 3
Bravura Indômita
Inverno da Alma

Melhor Roteiro original

Minhas Mães e meu Pai
A Origem
O Discurso do Rei
O Vencedor
Another Year

Melhor montagem

Cisne Negro
O Vencedor
O Discurso do Rei
A Rede Social
127 Horas

Melhor fotografia

Cisne Negro
A Origem
O Discurso do Rei
A Rede Social
Bravura Indômita

Melhor longa animado

Como Treinar o Seu Dragão
O Mágico
Toy Story 3

Melhor filme em lingua estrangeira

Biutiful
Fora-da-Lei
Dente Canino
Incendies
Em um Mundo Melhor (Dinamarca)

Melhor direção de arte

Alice no País das Maravilhas
Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte I
A Origem
O Discurso do Rei
Bravura Indômita

Melhor figurino

Alice no País das Maravilhas
I am Love
O Discurso do Rei
The Tempest
Bravura Indômita

Melhor documentário

Lixo Extraordinário
Exit Through the Gift Shop
Trabalho Interno
Gasland
Restrepo

Melhor documentário em curta-metragem

Killing in the Name
Poster Girl
Strangers no More
Sun Come Up
The Warriors of Qiugang

Melhor trilha sonora

Alexandre Desplat – O Discurso do Rei
John Powell – Como Treinar o seu Dragão
A.R. Rahman – 127 Horas
Trent Reznor e Atticus Ross – A Rede Social
Hans Zimmer – A Origem

Melhor canção original

“Coming Home” – Country Strong
“I See the Light” – Enrolados
“If I Rise” – 127 Horas
We Belong Together – Toy Story 3

Melhor Maquiagem

O Lobisomem
Caminho da Liberdade
Minha Versão para o Amor

Melhor Curta-metragem de animação

Day & Night
The Gruffalo
Let’s Pollute
The Lost Thing
Madagascar, Carnet de Voyage

Melhor Curta-metragem

The Confession
The Crush
God of Love
Na Wewe
Wish 143

Melhor Edição de som

A Origem
Toy Story 3
Tron – O Legado
Bravura Indômita
Incontrolável

Melhor Mixagem de som

A Origem
Bravura Indômita
O Discurso do Rei
A Rede Social
Salt

Melhor Efeitos especiais

Alice no País das Maravilhas
Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte I
Além da Vida
A Origem
Homem de Ferro 2

Melhor diretor

Melhor ator

Melhor atriz

Melhor ator coadjuvante

Melhor atriz coadjuvante

Melhor roteiro original

Melhor roteiro adaptado

Melhor longa animado

Melhor filme em lingua estrangeira

Melhor direção de arte

Melhor fotografia

Melhores efeitos visuais

Melhor figurino

Melhor montagem

Melhor maquiagem

Melhor documentário

Melhor documentário em curta-metragem

  • Strangers no More
  • Killing in the Name
  • Poster Girl
  • Sun Come Up
  • The Warriors of Qiugang

Melhor curta-metragem

  • God of Love
  • The Confession
  • The Crush
  • Na Wewe
  • Wish 143

Melhor animação em curta-metragem

  • The Lost Thing
  • Day & Night
  • The Gruffalo
  • Let’s Pollute
  • Madagascar, Carnet de Voyage

Melhor trilha sonora

Melhor canção original

Melhor edição de som

Melhor mixagem de som

O carinha dourado

por Eduardo Nozari

Uepa! Pelo jeito vou inaugurar os trabalhos por aqui, abrir a venda, tirar o pó, lançar o bote, estourar a champagne… Enfim, sacar.

Bom, qualquer iniciado na apreciação de filmes sabe que um texto sobre esse assunto escrito ali pelo finalzinho de fevereiro tem tema padrão: o Oscar. Certo? Errado! Mas, calma, este aqui vai ser sobre o Oscar mesmo… Aliás, é interessante perceber como no meio cinéfilo e da crítica cinematográfica (nos escalões mais eruditos, principalmente) sempre que se fala de Oscar é meio que em tom de vergonha ou desculpas. Concordo que a festa de Hollywood é pra lá de manjada (os filmes ganham mais por suas campanhas de bastidores do que exatamente por seus méritos, muitas categorias não têm critérios claros, etc.), mas defendo que o Oscar tem uma característica fatal que atrai todo mundo: a competição! Ao contrário dos festivais, onde os concorrentes são quase sempre inéditos, no Oscar podemos “torcer” por filmes que vimos e que gostamos (ou não).

Aqui neste post vou falar um pouquinho sobre cada um dos 10 filmes que concorrem a melhor filme e também sobre as demais categorias principais. Para mostrar que tenho propriedade sobre o que falo – viva o egocentrismo! – aqui está a minha folhinha onde marquei os filmes aos quais assisti.

Claro que não vi tudo, mas o suficiente para poder dar uns pitacos. Então vamos lá, um por um:

Cisne Negro: com certeza o filme mais ousado e artístico entre os 10 indicados. Conseguiu usar muito bem os recursos da narrativa cinematográfica (roteiro, edição, fotografia, atuações…) para contar o caminho percorrido por uma bailarina desde o momento em que é escolhida para o papel principal de O Lago dos Cisnes até a estréia da peça. Um filmaço. Na minha opinião, o melhor.

O Vencedor: não sei exatamente qual a atração que os americanos têm por filmes de boxe. Rocky, Touro Indomável, Menina de Ouro, Cinderella Man… Neste aqui a história é de um lutador que precisa abandonar a mãe-agente e o irmão-técnico para buscar o sucesso nos ringues. É um bom filme, na verdade, com ótimas atuações dos coadjuvantes, mas que não deve ser lembrado por muito tempo.

A Origem: o filme de Christopher Nolan foi lançado meio fora de época (para quem não sabe, nos EUA os filmes que visam o Oscar normalmente são lançados em dezembro) e por alguns meses foi considerado favorito. Tem uma trama  mirabolante que deu certo – pessoas que entram nos sonhos das outras para tentar mudar a realidade -  o que prova que o roteiro é bem feitinho. Mas para mim este aqui poderia ser facilmente substituído por Ilha do Medo, filme que não emplacou na temporada de prêmios.

Minhas Mães e Meu Pai: é a comédia do ano no Oscar. Assim como Juno, Pequena Miss Sunshine e Amor sem Escalas, é um filme leve e agradável de se assistir, apesar de tratar de um semi-tabu: os filhos de um casal de lésbicas decidem procurar quem é o seu pai (o doador de esperma das suas mães). Segue um pouco a fórmula das comédias românticas, com brigas e reconciliações, o que, para mim, é deixar-se tornar previsível.

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INTERVALO: 1) Como também vou falar de tênis por aqui vale comentar o jogaço que acabou de acabar. David Ferrer venceu Nicolas Almagro por 7/6, 6/7 e 6/2 na final do ATP 500 de Acapulco. Realmente muito bom o jogo, com rallys longos, esquerdas fenomenais do Almagro e buscadas incríveis do Ferrer. 2) Moacyr Scliar morreu agora há pouco. Acho que nunca li nenhum livro dele, mas simpatizava. Pena.

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O Discurso do Rei: esse é outro filme muito bom. Ao contrário do que alguém falou na Zero Hora, não é uma obra esquecível. Apesar de contar a história verídica do Rei George VI tentando superar a sua gagueira com a ajuda de um excêntrico especialista às vésperas da Segunda Guerra Mundial, o verdadeiro tema do filme é a amizade. As atuações do elenco principal são realmente muito boas e é interessante adentrar na vida íntima da fria realeza britânica. O Discurso do Rei vem ganhando a maioria dos prêmios dos sindicatos nos Estados Unidos e é o favorito para levar o Oscar de melhor filme.

127 Horas: mais um título bastante interessante e que, confesso, me surpreendeu. O filme narra as tais das 127 horas em que um montanhista ficou preso em uma fenda no deserto de Utah, nos Estados Unidos. Como quase todo o filme se passa em alguns poucos metros quadrados entre rochedos enormes é de se aplaudir o trabalho do diretor Danny Boyle, que conseguiu ótimos ângulos e elementos narrativos bem legais para não deixar o público entediado. A atuação-monólogo de James Franco também é muito boa – ele ganhou o Independent Spirit Award de melhor ator ontem – visto que é dificílimo sustentar um filme sozinho.

A Rede Social: este talvez tenha sido um dos filmes mais falados nos últimos meses. Era considerado favorito ao Oscar até ali pela época dos Globos de Ouro, mas então começou a perder território para O Discurso do Rei. Tem um roteiro bem bom, que conseguiu transferir para as telas um episódio bem recente: a criação do Facebook. O filme é a prova de como as coisas estão cada vez mais rápidas hoje em dia. O site surgiu há menos de 10 anos, tem milhões de usuários, o seu criador não tem nem 30 anos… Os acontecimentos históricos de filmes costumavam datar de outros séculos!  Mas o fato é que A Rede Social é um filme apenas interessantezinho e que, para mim, superdimensiona algo banal. Apesar do sucesso, acho que o Facebook não sustenta a trama de um filme. E como A Rede Social não tem grandes qualidades enquanto arte cinematográfica, ficou por isso mesmo.

Toy Story 3: mais uma vez contrariando o pessoal da ZH, não acho este um grande filme. É legal, bem feitinho, diverte, mas… só. Tenho a impressão de que a franquia Toy Story é da época em que desenho/animação era destinada apenas aos pimpolhos e não tinha o mesmo apelo junto ao público adulto que vemos nos filmes mais recentes: Ratatouille, Wall-E e Up, por exemplo.

Bravura Indômita: os irmãos Coen dessa vez resolveram fazer um filme mais convencional e deu bastante certo. Não sou expert em faroeste, mas acredito que Bravura Indômita tenhas as características clássicas do gênero: o bem e o mal, a busca por justiça, ação, tiros e conflitos internos nos campos do velho oeste. Essa pelo menos é a impressão que o filme me passou, que se trata de um faroeste à maneira clássica. O longa tem atuações muito boas de Jeff Bridges, no papel de um velho pistoleiro sem medo de nada, e de Hailee Steinfeld, que interpreta a menina mais corajosa do Oeste, dona da tal bravura indômita.

Inverno da Alma: buenas, esse é o filme que mais destoa entre os 10 indicados. Conta a história de uma guria que precisa achar seu pai e convencê-lo a se entregar à polícia, já que ele tinha dado a casa da família como garantia de fiança. Ele destoa porque é um filme muito denso, pesado, com uma carga dramática bem alta que parece se arrastar até que chegue o final. Em outras palavras, para uma pessoa despreparada, é um filme chato (chato não é a mesma coisa que ruim). Você precisa estar atento para ir entendendo a trama e o discurso do filme, que não é dado de bandeja.

OUTRAS CATEGORIAS

Melhor diretor: meu voto iria para Darren Aronofsky, por Cisne Negro. Fazer um filme daqueles requer maestria das boas. Tom Hooper, de O Discurso do Rei, também fez um ótimo trabalho na direção de atores, mas parece que o cara da vez vai ser o David Fincher. Confesso que não vejo um grande trabalho de direção em A Rede Social e acho que Fincher teria merecido mais por Clube da Luta ou O Curioso Caso de Benjamin Button, por exemplo.

Melhor ator: o rei gago de Colin Firth é impressionante e vai ganhar com mérito. Nessa categoria só não consegui ver o Javier Bardem, em Biutiful, mas não devem haver supresas.

Melhor atriz: Natalie Portman! A guriazinha de O Profissional já demonstrava talento desde aquela época, mas chegou ao auge com Cisne Negro. Assim como todo o filme, só cai a ficha da excelência da atuação dela ao subir dos créditos, mas daí não tem mais volta: você está conquistado.

Melhor ator coadjuvante: o favorito parece ser Christian Bale, por O Vencedor, o que é mais que merecido. É uma atuação muito realista, apesar de o personagem não ser tão natural. Quem poderia surpreender nessa categoria é Geoffrey Rush, por O Discurso do Rei.

Melhor atriz coadjuvante: acho que é a categoria de atuação mais intrincada. Melissa Leo (O Vencedor) era a favorita absoluta por, assim como Bale, interpretar alguém que poderia perfeitamente ser sua vizinha. Só que nas últimas semanas ela andou fazendo campanha por conta própria em Hollywood – comprou espaços em revistas se autopromovendo – e parece que isso não foi muito bem digerido por lá. Hailee Steinfeld, de Bravura Indômita, mereceria muito ganhar, mas ainda tem Helena Bonham Carter, de O Discurso do Rei, que parece ter crescido nas cotações agora no finalzinho. Difícil essa.

Roteiros: palpito que o prêmio de roteiro original irá para O Discurso do Rei (A Origem, talvez) mais pelo entusiasmo que há em torno do filme. O de roteiro adaptado deve ir para A Rede Social, mas realmente não li o livro no qual foi baseado para poder comparar.

E é isso! Bom Oscar a todos e façam suas apostas! Volto na segunda para comentar alguma coisa da cerimônia.

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