Chromebook: o mix que ainda não deve funcionar no Brasil

por Isadora Müller

Nas últimas semanas estamos acompanhando pela web o desenrolar da comercialização dos Chromebooks, os notebooks baseados em cloud computing que rodam o Chrome OS, do Google. Já está confirmado que nos EUA eles chegam ao mercado já em junho, enquanto que em terras verde-amarelas somente no final do ano. Até aí, normal: seguindo a tendência de todos os gadgets, o Brasil sempre recebe as novidades bastante atrasado.

Antes de entrar no mérito de comercialização, um comentário técnico: generalizando, as máquinas que inicialmente entrarão no mercado com o OS do Google serão dual core, com 2gb de memória e HD com capacidade menor do que o PC que eu tinha em 1998.

Sim, eu sei: a proposta dos Chromebooks é jogar tudo na nuvem e lá ficar, usar tudo a partir da web – por isso tão pouco espaço de HD. Mas aí é que vejo o grande problema para mercados carentes de informações e, sobretudo, melhorias em tecnologia.

Hoje li na Info os valores dos notebooks para o lançamento. A faixa de valor é US$ 400. Não precisa ser gênio ou economista pra saber que, trazendo pro Brasil, não basta só multiplicar pelo valor do dólar, mas sim adicionar os tantos impostos nossos de cada dia.

O resultado é que qualquer brasileiro que não saiba/não se interesse/esteja pouco ligando para a tal da informação na nuvem (afinal, onde ele vai enfiar o cabo usb dele para colocar as músicas pirateadas no mp3 player?) não vai querer pagar mais de R$ 1.000 em um netbook que, na sua forma de ver, não serve para armazenar filmes, grandes documentos ou muitas fotos. Especialmente se colocar em cena a realidade de que, mesmo em cidades de regiões metropolitanas, a internet banda larga passa longe de ser, realmente e com o perdão do trocadilho, larga: as megavelocidades, tão presentes nas propagandas, não atingem a maioria dos lares deste país.

O brasileiro que conhecemos (leia-se aqui o brasileiro default, não o fanboy) vai pensar: por que pagar tanto (lembre-se dos impostos de trazer estes notebooks ao país) por uma máquina assim se posso encontrar um netbook com o mesmo processador, mesma memória, porém com HD maior que não depende da porcaria da minha internet e que não vai colocar minhas informações em uma nuvem que nem sei em que céu fica?

Sim, creio – e também espero e torço – que com o passar do tempo os Chromebooks fiquem acessíveis aqui no Brasil. A ideia é boa demais: um notebook barato e baseado na nuvem. Mas, para falar a verdade, está caro até para padrões de terras gringas: o valor inicial de netbooks na Amazon não chega a US$ 250.

Sei não, mas eu repensaria o marketing mix do produto. E você?

Nós, consumidores, e os smartphones

Por Isadora Müller

Nosso companheiro de todos os dias, o Google, divulgou uma pesquisa sobre o comportamento dos usuários com seus smartphones. Ok, isso não é nenhuma novidade, sabemos que todos utilizam seus smarts para social media, pesquisas, procurar locais para jantar (e fazer check in com o foursquare depois, óbvio)… mas e como isso afeta a forma com que compramos?

A pesquisa, transformada em vídeo, mostra que, além de utilizarmos nossos gadgets em todos os lugares – 39% usam até enquanto estão no banheiro! – , estes aparelhos estão nos transformando em consumidores mais inteligentes. E isso é muito bom, não é?

Bem, a ideia do Google era, obviamente, mostrar que mobile advertising funciona – e bem. Daí a importância da optimização de websites para dispositivos móveis, coisa que ainda ta muito fraca em plena era 2.0. Vejamos:

Ei, tem um tablet transformer chegando por aí

Sim, já sabemos que só se fala em tablet. Especialmente no iPad – e o buzz, óbvio, anda na segunda versão do brinquedinho. Mas leia bem: tablet. Não um notebook, netbook. Tablet.

A Asus, uma das primeiras fabricantes a lançar os netbooks da série Eee quando os minis viraram febre (há pouquíssimo tempo, a propósito), anunciou agora um Eee Transformer: um tablet com teclado físico acoplado.

Tá achando bom?

Ok. Mas agora vamos pensar mais a fundo. Se colocarmos um teclado num tablet – oh, wait! – teremos um netbook. E um netbook com uma performance que deixaria muito a desejar, na minha opinião – afinal, hoje se faz o que com 1GB de memória?

E toda a usabilidade envolvida para um dispositivo 100% móvel, touch screen?

A ideia toda, de início parece muito boa: um gadget dois em um. Mas pense novamente: se você quisesse um bom netbook, compraria um netbook (/facepalm). No caso, um que vá sair mais barato do que um tablet (estamos no Brasil, não esqueça) e que tenha uma configuração aceitável.

Uma coisa é certa: se essa fosse a tendência, nossa amiga Apple já teria lançado. E aí, alguém consegue imaginar um iPhone, iPod ou iPad com teclado?

Nós e nossos gadgets, em 30 anos

por Isadora Müller

Pense rápido: o que você faz assim que abre os olhos de manhã? Eu aposto que a maioria disse que pega o celular – mesmo porque eu também aposto que muitos usam o despertador do mesmo (como eu).

Porque sim, usamos o celular e outros gadgets o tempo todo.

Agora, imagine um futuro onde se possa utilizar esse aparelho não só para fazer ligações mensagens, navegar na web, consumir entretenimento digital e rodar os mais variados apps.

Esse vídeo chinês sugere que, na versão 44G, o smartphone será utilizado assim:

É óbvio que é fisicamente impossível. Mas ninguém além de mim ficou com medinho de que isso possa acontecer um dia?

Circles? Que circles?

por Isadora Müller

A gigante da web Google anda, como sempre, chamando atenção no universo on-line. Depois dos rumores lançados pelo portal ReadWriteWeb, fala-se muito em Google Circles, a tão esperada rede social bem-sucedida da companhia.

E por que “bem-sucedida”?

Bem, vocês conhecem o Orkut. Os Y’s aqui presentes devem lembrar que, no início – lá quando só podia-se entrar no Orkut com convite de amigos, lembram? – o portal nem ao menos era do Google. E pegou só no Brasil e na Índia, praticamente. Aí tivemos o Wave, uma suposta onda de informações na web que se mostrou uma marolinha fraca que morreu na beira da praia. Isso sem falar no Friend Connect, que a maioria nem sabe que existe, e o Buzz, que foi polêmico desde os primeiros minutos de vida.

Será que a nova tentativa social do Google dará mais sorte?

Segundo os boatos que circulam, inclusive fortemente pelo Twitter, o Circles seria mais esperto do que a maioria dos outros portais, formando realmente círculos de contatos – como, por exemplo, amigos do trabalho, família, colegas de faculdade. A ideia é ótima e a missão é divina: imagino eu, jornalista, podendo dialogar de formas distintas com cada grupo diferente. Heaven, I know.

Resta saber se o boato leva à verdade e se será eficaz. Tomara!

Os veículos massivos e a tecnologia

por Isadora Muller

Esta semana, na minha rotina diária de não sair de casa sem saber o que está acontecendo da porta da minha casa para frente, vi uma reportagem que me deixou midiaticamente desapontada.

Era um especial sobre os 150 anos da invenção do telefone. Além daquele jeito de matéria manjada, que todo o ano a emissora pode fazer igual – assim como a lotação nas lojas de natal, os feridos após reveillon e o trânsito na Freeway no Carnaval –, a reportagem foi até um shopping center mostrar as “evoluções” do telefone celular – welcome to 2002!

Onde a câmera mostrava um Galaxy Tab, o off narrava que alguns celulares até navegam na internet. Oras, se ouvindo essa “inovação” a coisa já soa engraçado, imagina vendo um tablet se passando por um telefone na matéria.

Aí o lado jornalístico me obriga a perguntar: onde estão os especialistas em tecnologia nos veículos? Onde estão os geeks para lembrar o editor que, se desktop não é notebook, notebook não é netbook e netbook não é tablet, um tablet obviamente não é um smartphone? Impossível não imaginar a repórter tentando telefonar com um gadget de 7” (sim, porque ainda era a primeira versão do equipamento da Samsung)…

Pode ser implicância minha – ou o costumeiro vício em tecnologia. Mas acho que todos os veículos midiáticos, mesmo os massivos, deveriam dar mais atenção ao assunto. Ou daqui a pouco vão dizer que o robozinho verde é o mascote da Apple…

Torcendo pelo compartilhamento de conteúdos

por Isadora Müller

Mesmo com o iPad 2 bombando na mídia essa semana, vou contrariar a massa tecnológica. No meu primeiro post aqui no Geração Y eu vou – eu quero e preciso – comentar alguns fatos novos – isso existe? – sobre mídias sociais.

Bem, em um blog feito de jovem para jovem, parece desnecessário lembrar que estamos no século XXI e que a ordem agora, na web 2.0, é interatividade. Aliás, isso já é quase two thousand and late: o mundo tecnológico já fala em web semântica, 3.0 e todo o blá blá blá que ouvimos e lemos pela www afora – mas caso seja necessário lembrar desses fatores, já refresquei a memória do caro leitor.

Como é de praxe – é moda! – volta e meia sai uma nova pesquisa sobre o comportamento das pessoas na internet e como elas a utilizam, para que e como.

No Brasil, a coisa me preocupa. Segundo a consultoria eCMetrics, apenas 5% dos internautas brasileiros comentam ou compartilham o que encontram na world wide web. E 15% publicam conteúdos – que são consumidos por 60% que somente pesquisam informações na internet. Sim, os navegantes brazucas são muito passivos.

Mas começo a achar que a falta de criação e compartilhamento de informações não é prioridade do brasileiro. Diretamente do Two and a Half Men, nosso amigo Charlie Sheen bateu novo recorde no Guinness. Como? O cara que conseguiu um milhão de seguidores mais rapidamente na história.

Isso é normal. Aquela coisa do fã se sentir mais próximo de seu ídolo, podendo interagir com ele – mesmo que ele não esteja givin’ a f*$# para seus admiradores.

Mas, no meu mundo comunicativamente ideal, redes como Twitter – e todas as outras – continuam sendo para compartilhar. Não é, exatamente, espaço para voyerismos.

Alguém concorda comigo?

Quero propor uma brincadeira: em vez de escrever “oi gente, estou indo tomar banho, beijos”, desafio todos os twitteiros a postar em seu perfil ao menos uma notícia que achou interessante, diariamente. Contem-me como foi e se as pessoas interagiram com seus tweets. Depois comentamos sobre métricas, analytics e klout scores dos perfis, combinado?

Mas ok, você pode continuar seguindo o Ashton Kutcher. Afinal, todo mundo segue.

 

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